As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos


Poderá haver prazer com as pudicas? E refiro-me às de boa-fé: reservadas até no próprio prazer, não vos oferecem senão meios gozos. Esse inteiro abandono de si mesmo, esse delírio da volúpia em que o prazer se apura pelo excesso, esses bens do amor não o conhecem elas. (Carta IV)

A humanidade não é perfeita em nenhum gênero, tanto no mal quanto no bem. O celerado tem suas virtudes, como o homem de bem tem suas fraquezas. (Carta XXXII)

Se os primeiros amores parecem em geral os mais honestos e, como dizem, os mais puros, se são, pelo menos, mais lentos em sua marcha, não se trata, como se pensa de delicadeza ou timidez: é porque o coração, espantado com um sentimento desconhecido, pára, por assim dizer, a cada passo, para gozar o encanto que experimenta, e que esse encanto é tão forte num coração novo que o ocupa a ponto de fazê-lo esquecer qualquer outro prazer. (Carta LVII)

Livros Lidos - Agosto 2014


3 livros = 877 páginas

53. as pelejas de ojuara (1986) - nei leandro da costa - arx - 272 pgs - excelente
54. o homem do castelo alto (1962) - philip k. dick - brasiliense - 269 pgs - excelente
55. o livro do cemitério (2008) - neil gaiman - rocco - 336 pgs - bom

Ilíada, de Homero


O coração dos mancebos costuma ser sempre volúvel;
mas quando um velho intervém, o passado e o futuro perscruta,
para que tudo decorra do modo melhor para todos.
(Canto III, 108-110)

As gerações dos mortais assemelham-se às folhas das árvores,
que, umas, os ventos atiram no solo, sem vida; outras, brotam
na primavera, de novo, por toda a floresta viçosa.
Desaparecem ou nascem os homens da mesma maneira.
(Canto VI, 146-149)

O Homem do Castelo Alto, de Philip K. Dick


O Tao é aquilo que primeiro permite o claro e depois o escuro. É aquilo que leva à interprenetração de duas forças primitivas, de modo que há sempre renovação. É aquilo que impede que tudo se desgaste. O universo nunca se extinguirá porque no momento exato em que a escuridão parece ter sufocado tudo, ser realmente transcendental, as novas sementes de luz renascem das próprias profundezas. É este o Caminho. Quando a semente cai, penetra na terra, no solo. E lá embaixo, escondida, germina. (113)

Esses romancistas conhecem mil truques. Apelar para os mais baixos instintos que se escondem nas profundezas da alma humana por mais respeitáveis que as pessoas pareçam. Sim, o romancista conhece a humanidade, sabe como é desprezível, guiada por seus testículos, hesitante por covardia, traindo qualquer causa por cobiça - basta que toque o tambor e a resposta vem logo. E ele fica rindo, é claro, escondido, do efeito que produz. (135)

A verdade. Terrível como a morte. Só que mais difícil de encontrar. (269)

Livros Adquiridos - Julho 2014



10 livros = -R$ 454,90

106. o xamanismo e as técnicas arcaicas do êxtase - mircea eliade - martins fontes - r$ 127,16 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
107. a promessa - harlan coben - arx - troca - www.skoob.com.br (vendido)
108. duna - frank herbert - aleph - troca - www.skoob.com.br
109. nova antologia do conto russo (1792-1998) - bruno barretto gomide (org.) - editora 34 - presente
110. minha luta - adolf hitler - centauro - r$ 84,79 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
111. a história da feiura - umberto eco - record - r$ 111,31 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
112. a história da feiura - umberto eco - record - r$ 111,32 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
113. tratados da vida moderna - honoré de balzac - estação liberdade - troca - www.skoob.com.br
114. corra com os cavalos - eugene peterson - ultimato - r$ 20,32 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
115. o cavaleiro dos sete reinos - george r. r. martin - leya - troca - www.skoob.com.br

As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro


Agora eu vou lhe dizer o que é feio para mim. Feio é o choro da mãe com leite pedrado no seio, diante do filho morto por um cruel, fero e feio. Feia é a quela sombra escura que vai levando consigo o covarde que traiu o seu mais bondoso amigo. Feia é a maldade do homem, a herança de Caim, praga de mãe ofendida, tentação do Coisa-Ruim. Feio é o belo que mata por nada, só por ser belo. Para uns, o roxo é lindo. Para outros é o amarelo. A beleza e a não-beleza estão juntas em toda parte. No sangue de uma ferida, na solidão de uma arte. O belo é visto em tudo, depende de quem o olha. Quem ama o sapo é a sapa, quem ama o solho é a solha. Olhe seu rosto no espelho, veja o belo, a esperança. Deus não é feio e nos criou à sua imagem e semelhança.

Veja também:
- Filme O Homem de Desafiou o Diabo

Livros Lidos - Julho 2014


6 livros = 2223 páginas

47. o caminho do guerreiro pacífico (1980) - dan nillman - pensamento - 222 pgs - bom 
48. corpus delicti (2009) - juli zeh - record - 256 pgs - excelente 
49. a gente se acostuma com o fim do mundo (2005) - matin page - rocco - 225 pgs - bom 
50. sob a redoma (2009) - stephen king - suma de letras - 960 pgs - excelente
51. arte e letra: estórias x (2014) - diversos autores - arte e letra - 80 pgs - regular 
52. os heróis do olimpo livro 3: a marca de atena (2012) - rick riordan - intrínseca - 480 pgs - bom

Livros Adquiridos - Junho 2014


5 livros = -R$ 76,86

101. o rei de amarelo - richard w. chambers - intrínseca - r$ 15,90 - www.livrariasaraiva.com.br (lido) (trocado)
102. contos de horror do século xix - alberto manguel - cia das letras - r$ 41,80 - www.estantevirtual.com.br (vendido)
103. menino de lugar nenhum - david mitchell - companhia das letras - troca - www.skoob.com.br
104. os últimos quartetos de beethoven - luis fernando verissimo - objetiva - troca - www.skoob.com.br (lido)
105. a cor da magia - terry pratchett - conrad - r$ 19,16 - www.estantevirtual.com.br

Sob a Redoma, de Stephen King


Cidades pequenas abrigam imaginações pequenas. (223)

"Quando o poder do amor for maior que o amor ao poder, o mundo terá paz." (Jimi Hendrix) (389)

Se a riqueza é a cerveja da vida, o poder é o champanhe. (406)

Devolva a alguém o respeito próprio e, na maioria dos casos - não em todos, mas na maioria -, também se devolve à pessoa a capacidade de pensar ao menos com um pouco de clareza. (435)

Às vezes o correto e o necessário entram em conflito. (723)

A união faz a força; a desunião traz a forca. (766)

A gente se acostuma com o fim do mundo, de Martin Page


O reconfortante, no trabalho, é o fato de que, por algumas horas, deixamos de ser nós mesmos. Ali não se trata do nosso corpo, do nosso sangue; entregamo-nos aos objetivos do empregador. O trabalho é outra forma de sonhar, um estado de inconsciência, como o do sono. (19)

A gentileza, se usada com habilidade, continua a ser o mais eficaz dos lubrificantes desenvolvidos pela indústria relacional. (22)

Não se deve confiar nas pessoas que têm medo da solidão, pois elas, na verdade, nunca estão realmente sós. Usam de vários expedientes para preencher com homens, mulheres ou álcool o vazio de sua imaginação. Ignoram que, na verdade, a solidão não pode ser preenchida. Ela não tem fundo. De nada serve fugir dela. A solidão é uma amante que precisa que lhe sejamos infiéis. (35)

Há uma diferença entre conhecer a verdade e ouvi-la da boca de alguém. Quando a conhecemos interiormente, nós a mimamos, cuidamos dela, transformando-a num animal doméstico. Nós a cobrimos com cobertores, damos carinho e corrompemos com todas essas guloseimas produzidas dentro de nossas cabeças. Também a cantarolamos, pois ela não passa de uma canção que nos ajuda a lamentar o nosso próprio destino. Mas o melhor serviço que os nossos conhecidos podem nos prestar é mostrar-nos aquilo que já sabemos. (43)

A forma mais elevada de filosofia é aquela que nos ensina a variar os nossos erros. Não podemos deixar de nos enganar. Enquanto não formos digitalizados no disco rígido de algum computador ou impressos no livro de algum filósofo, nunca seremos seres bons e perfeitos, não aplicaremos os ensinamentos da razão e da verdade. É preciso assumir que sempre iremos nos enganar, mas que pelo menos tentaremos ter criatividade em nossos erros e variar constantemente a sua natureza. (132)

A realidade perde de longe da ficção em matéria de verossimilhança. (165)

Ninguém é realmente infeliz quando não sabe o que é a felicidade. (176)

Como acontece com o coração, também o nosso apartamento é decorado com a pessoa que amamos. Ela combina com a cor das cortinas e do tapete. E, quando desaparece, as paredes se descoram; fica faltando aquela camada fina de cera sobre os móveis e algum perfume no ar. (184)

Não se devia achar o verdadeira amor tão cedo assim. Porque acabamos estragando tudo e nem nos damos conta, por inabilidade e arrogância. Só devíamos nos apaixonar depois dos quarenta anos. A juventude não entende nada de sentimentos, acha que ama, mas não faz mais do que representar cenas de sitcom. O amor requer maturidade e inteligência, duas qualidades que não podemos ter antes de conhecer o que é a solidão e o azedume do tempo que passa. Que os jovens se divirtam, mas não finjam amar, pelo amor de Deus, deixem isso para quem já viveu. (192)