LIBRU LUMEN
Oh! bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É gérmen - que faz a palma,
É chuva - que faz o mar.
(Castro Alves)
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Leituras 2009
1. O leilão do lote 49, Thomas Pynchon.
2. A casa das belas adormecidas, Yasunari Kawabata.
3. Todas as cidades, a cidade, Renato Cordeiro Gomes.
4. A luz fantástica, Terry Pratchett.
5. A arte cavalheiresca do arqueiro zen, Eugen Herrigel.
6. A marquesa d'O... e outras estórias, Heinrich Von Kleist.
7. Artemis Fowl, Eoin Colfer.
8. Coraline, Neil Gaiman.
9. A Oxford de Lyra, Philip Pullman.
FEVEREIRO
10. O mágico de Oz, Lyman Frank Baum.
11. O perfume, Patrick Süskind.
12. História de um louco amor / Passado amor, Horácio Quiroga.
13. Avante, soldados: para trás, Deonísio da Silva.
14. Hamlet : poema ilimitado, Harold Bloom.
15. Watchmen, Moore/Gibbons.
MARÇO
16. Hamlet, William Shakespeare.
17. Alice no país das maravilhas, Lewis Carroll.
ABRIL
18. Tudo o que eu queria te dizer, Martha Medeiros.
19. Calipso e Ulisses, Simone Athayde.
20. A revoada: O enterro do Diabo, Gabriel García Márquez.
21. Direitos iguais, rituais iguais, Terry Pratchett.
22. O caso dos exploradores de cavernas, Lon L. Fuller.
MAIO
23. O clube dos anjos, Luis Fernando Verissimo.
24. Através do espelho, Jostein Gaarder.
25. A décima segunda noite, Luis Fernando Verissimo.
JUNHO
26. Esaú e Jacó, Machado de Assis.
27. O opositor, Luis Fernando Verissimo.
28. Dagon, H. P. Lovecraft.
JULHO
29. Como me tornei estúpido, Martin Page.
30. Os livros perdidos de Eva, Josh Howard.
31. Singularity 7, Ben Templesmith.
32. A casa dos budas ditosos, João Ubaldo Ribeiro.
33. Esses livros dentro da gente, Stela Maris Rezende.
34. Vagabond v.1, Takehiko Inoue.
35. Oldboy v.1, Tsuchiya/Minegishi.
36. Oldboy v.2, Tsuchiya/Minegishi.
37. Oldboy v.3, Tsuchiya/Minegishi.
38. Estratégia do pensamento e projeto de vida, Michel Echenique Isasa.
39. A arte da ficção, David Lodge.
40. O sagrado e o profano, Mircea Eliade.
AGOSTO
41. Oldboy v.4, Tsuchiya/Minegishi.
42. Oldboy v.5, Tsuchiya/Minegishi.
43. Oldboy v.6, Tsuchiya/Minegishi.
44. Oldboy v.7, Tsuchiya/Minegishi.
45. Ficções, Jorge Luis Borges.
46. Ensaio sobre a cegueira, José Saramago.
47. A vida secreta dos grandes autores, Robert Schnakenberg.
48. Desvendando os segredos da linguaguem corporal, Allan e Barbara Pease.
49. O engenhoso fidalgo D. Quixote de La Mancha, Miguel de Cervantes Saavedra.
50. Narrativas gráficas, Will Eisner.
SETEMBRO
51. O mundo é bárbaro, Luis Fernando Verissimo.
52. Vagabond v.2, Takehiko Inoue.
53. A sedução da palavra, Affonso Romano de Sant'Anna.
54. Vagabond v.3, Takehiko Inoue.
55. O profeta, Khalil Gibran.
56. Oldboy v.8, Tsuchiya/Minegishi.
57. A menina que roubava livros, Markus Suzak.
58. A droga da obediência, Pedro Bandeira.
59. A guerra da arte, Steven Pressfield.
60. Bilbo, o hobbit, Tolkien/Dixon/Wenzel.
61. Vagabond v.4, Takehiko Inoue.
62. Vagabond v.5, Takehiko Inoue.
OUTUBRO
63. Mastigando humanos, Santiago Nazarian.
64. Whiteout: morte no gelo, Rucka/Lieber.
65. Vagabond v.6, Takehiko Inoue.
66. Vagabond v.7, Takehiko Inoue.
67. Hagakure, Yamamoto Tsunetomo.
68. O curioso caso de Benjamin Button, Fittzgerald/DeFilippis/Weir/Cornell.
69. Satanás, Mario Mendoza.
70. Borgia v.1, Jodorowski/Manara.
71. Borgia v.2, Jodorowski/Manara.
72. Borgia v.3, Jodorowski/Manara.
73. Querido e devotado Dexter, Jeff Lindsay.
74. Na busca de um homem, Michel Echenique Isasa.
75. Vagabond v.8, Takehiko Inoue.
76. Vagabond v.9, Takehiko Inoue.
77. Vagabond v.10, Takehiko Inoue.
78. O herói cotidiano, Délia Steinberg Guzmán.
79. Deus existe?, Ratzinger/d'Arcais.
NOVEMBRO
80. Melhor que você mesmo, Steve Farber.
Descobri hoje o site Bitstrips.com, que torna qualquer leigo em um escritor/desenhista de tirinhas, aquelas histórias em quadrinhos que saem nos jornais, com 3 à 6 quadros. Até eu já experimentei fazer uma minha (veja abaixo). E você, quer testar a sua criatividade e depois postar aqui o resultado? Vamos lá, experimente, depois deixe o link nos comentários.
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Dan Brown: "Este é o meu melhor livro"
Seis anos após o sucesso planetário de "O Código Da Vinci", Dan Brown regressa com mais enigmas e códigos para desvendar, mergulhando no mundo fechado da Maçonaria. Eis o rei dos best-seller em entrevista.José Mário Silva (http://www.expresso.pt)
21:09 Domingo, 1 de Nov de 2009

Situada 80 quilómetros a norte de Boston, já no estado de New Hampshire, Exeter é uma típica cidade de província. Casas em madeira, ruas tranquilas, árvores outonais com folhas amarelas e vermelhas. Em frente à igreja luterana, a biblioteca da Philips Exeter Academy, um edifício em tijolo vermelho e betão (desenhado nos anos 60 pelo arquitecto Louis Kahn), é um bastião do conhecimento. "Esta escola secundária está entre as melhores dos EUA", garante-nos, com uma ponta de orgulho, Dan Brown, enquanto faz questão de mostrar, atrás das vitrinas do quarto piso, as prateleiras cheias de livros escritos por antigos alunos, como Gore Vidal, John Irving e o próprio Dan Brown.
Entre as muitas dezenas de volumes, brilha a capa do seu último romance, " O Símbolo Perdido " (à venda em Portugal desde quinta-feira, em edição Bertrand), terceiro livro com o seu personagem-fétiche, Robert Langdon, um simbologista que, depois das aventuras em Roma ("Anjos e Demónios") e Paris ("O Código Da Vinci"), deambula agora pelos principais monumentos de Washington, à procura de um segredo enterrado pelos "pais fundadores" da nação americana e protegido pela Maçonaria.
No dia em que chegou às livrarias dos EUA e Reino Unido (15 de Setembro), o seu novo romance vendeu mais de um milhão de exemplares. Ficou aliviado ao perceber que continua a ser o maior best-seller de literatura para adultos, seis anos após o fenómeno de "O Código Da Vinci"? Claro. Quando não se publica durante tanto tempo, uma pessoa começa a ter dúvidas. Será que as pessoas ainda se lembram de nós? Os meus editores garantiam-me que sim e que o novo livro só podia ser outro sucesso, mas eu não tinha assim tanta certeza. Por isso, claro que me senti aliviado. Foi um grande dia.
Não teme o escrutínio apertado a que "O Símbolo Perdido" vai ser sujeito? Não. Acho que é o meu melhor livro. O mais complexo, aquele que tem mais códigos, mais símbolos, mais reviravoltas no enredo. E creio também que é o meu romance com material filosófico mais profundo.
O livro estava previsto para 2006 e foi sendo sucessivamente adiado. Houve alguma espécie de bloqueio criativo? Pelo contrário. O meu problema é sempre o excesso de material. O facto de escrever a mais, nunca o facto de escrever a menos. Felizmente, graças a Deus, não há um único dia em que me sente para trabalhar e não saiba o que escrever.
Ao ler os seus últimos livros, fica-se com a sensação de que está sempre a escrever a mesma história. Em todos eles há códigos decifrados em tempo recorde, organizações misteriosas que tentam proteger (ou destruir) segredos que podem mudar o mundo, enigmas que cruzam arquitectura e mito, pinturas com significados simbólicos, etc. Os elementos mudam, os lugares são diferentes, mas a estrutura narrativa é quase igual. Será que existe uma fórmula Dan Brown? Se existe, gostaria que alguém me explicasse qual é, porque tornaria a escrita muito mais fácil. É verdade que há elementos comuns aos vários livros, como esses que referiu. Mas não creio que seja possível criar romances com este grau de complexidade a partir de uma qualquer fórmula. Isto é apenas a minha maneira de escrever.
Mas essa insistência numa forma muito particular de thriller histórico-cultural, com uma forte carga mítica, não pode tornar-se cansativa para os seus leitores? Não creio. O gozo destes livros está na sucessão de códigos e segredos para desvendar, que são sempre diferentes. Se vir bem, os leitores do Ian Fleming nunca se cansam do James Bond. E os livros do James Bond também são todos iguais. Os martinis, as raparigas bonitas, as cenas de acção, etc. Eu acredito que o truque para contar uma boa história é dar ao leitor o que ele espera, mas de uma forma inesperada. Toda a gente sabe que no fim o James Bond vai desarmar a bomba e ficar com a miúda, mas ainda assim queremos saber o que é que ele faz antes de chegar até ali.
É verdade que já tem planejados mais 12 livros com o Professor Robert Langdon como protagonista? Sim, é verdade. Não sei se os conseguirei escrever, mas tenho ideias para mais 12 romances.
Estão na sua cabeça ou já no papel? No papel.Guardados num cofre? Sim. Muito bem protegidos da curiosidade alheia.
Conhece o gerador interactivo de sequelas de Dan Brown que foi criado pela revista "Slate"? Não, não conheço. O que é isso?
É uma aplicação na Internet (http://www.slate.com/id/2228327) que gera automaticamente, após a escolha de uma determinada cidade e seita, um enredo à maneira de Dan Brown. Soa-me muito bem. (Risos) Talvez a utilize um dia destes, se estiver menos inspirado.
Muitas pessoas temiam que este livro fizesse à Maçonaria o que "O Código Da Vinci" fez à Opus Dei. Isto é, um ataque violento a uma organização secreta e poderosa. Mas não foi isso que aconteceu. O retrato que traça dos maçons acaba por ser bastante positivo, para não dizer laudatório. O que posso dizer é que investiguei os maçons a fundo, durante dois anos. Se descobrisse que eles eram adoradores satânicos obcecados pela ideia de dominar o mundo, teria escrito isso mesmo no livro. Acontece que não foi isso que descobri, antes pelo contrário.
O que é que já sabia sobre a Maçonaria antes dessa pesquisa? Já sabia muita coisa, mas a pesquisa para o livro foi tão profunda que adquiri uma perspectiva inteiramente nova, e positiva, sobre a filosofia dos maçons.
Positiva ao ponto de entrar para a organização? Não. Um dos juramentos que se faz quando se entra é o do secretismo. O iniciado não pode revelar os segredos. E eu sou uma pessoa de princípios. Se tivesse feito o juramento, nunca o quebraria. Como sabia que não seria capaz de o manter, não aderi.
Neste momento, o livro foi publicado. Já nada o impede de aderir. Suponho que não.
Está a pensar nisso? Por agora não. Prefiro ficar de fora.
A verdade é que se decidisse entrar - e até pode já ter entrado - nunca o diria? Exactamente.
Há um lema dos maçons que parece feito à sua medida: ordo ab chao. Certo? Certo. É o que todos tentamos fazer com as nossas vidas. Transformar o caos em ordem. É o objectivo da religião. É o objectivo da ciência.
Dois conceitos que se fundem num ramo de investigação a que dedica muitas páginas no seu livro: a ciência noética. Ao estudarmos os Mistérios Antigos, verificamos que há uma insistência nos poderes da mente humana. A ciência noética é, no meu entender, a primeira ciência verdadeira que começa a mostrar-nos quantitativamente que nós, com as nossas mentes, temos poder para afectar o universo físico.
Mas isso não está provado de uma forma cientificamente séria. Ai está, sim. Toda a ciência descrita no meu livro é verdadeira. Todas aquelas experiências existem, foram feitas, mesmo as que apresentam resultados difícil de aceitar. Há seis anos, eu teria dito que os pressupostos da ciência noética são impossíveis. Mas depois investiguei muito e mudei de opinião.
Acha que o livro pode ajudar a ciência noética a sair da sombra? Claro que sim. Aliás, já o fez. As instituições que estudam a ciência noética recebem hoje mais financiamentos, chegam à TV, etc.
Devem estar muito contentes consigo. Na verdade, eles amam-me.
O seu pai também é um homem de ciência. Um conhecido matemático... Muito conhecido, mesmo. É o autor daqueles livros de Álgebra todos, com as capas coloridas aponta para uma estante ao fundo da sala.
Foi com ele que ganhou o gosto pela resolução de códigos e puzzles? Sem dúvida. Nas manhãs de Natal, quando descíamos para a sala, não havia presentes debaixo da árvore. Havia só um cartão com um código que tínhamos de solucionar e que no fim dizia, por exemplo, frigorífico. E nós corríamos para o frigorífico, onde encontrávamos outro código. Dali íamos para outro lado qualquer, onde o meu pai colocara outra pista. E assim sucessivamente. Só no fim de uma sequência de descobertas é que chegávamos às prendas.
Curiosamente, essa podia ser a sinopse dos seus livros. Pois podia. Eles funcionam exactamente da mesma maneira.
Então é como se regressasse à infância de cada vez que escreve um romance. Sim. Acho que pode dizer isso.
Foi uma infância feliz? Muito feliz. Uma infância protegida, sem traumas. Os meus pais estão os dois vivos e são pessoas maravilhosas. Cresci aqui, em Exeter, entre estudantes de todo o mundo, com as mais diversas religiões e culturas. O verdadeiro melting pot. Acho que isso contribuiu para que eu tivesse, desde cedo, um espírito muito aberto.
No início dos anos 90, com vinte e poucos anos, tentou uma carreira musical em Hollywood, mas sem sucesso. O que é que aprendeu com esse falhanço? A importância da persistência. Aprendi que só conseguimos chegar a algum lado se tivermos persistência e se nos mantivermos focados no que queremos fazer. Naquela altura, a minha música não era comercial, porque apareceu no início da loucura com o rap, quando ninguém queria saber da pop. Mas eu não quis perder o meu foco. Então, em vez de me adaptar a uma realidade com a qual não me identificava, decidi escrever romances.
Essa decisão, já o disse várias vezes, concretizou-se depois de ler um romance de Sidney Sheldon, durante umas férias no Tahiti. Que outras influências literárias é que tinha nessa altura? Curiosamente, as minhas leituras limitavam-se praticamente aos clássicos que aprendera durante o ensino secundário: Shakespeare, Steinbeck, Faulkner, Homero. E não conhecia nada da literatura mainstream contemporânea. Eu nem sequer sabia que existiam livros daqueles. Então, ao pegar no romance de Sheldon, pensei: "Acho que era capaz de fazer isto."
O seu terreno de eleição é o thriller. Consegue imaginar-se a escrever outro género literário? Talvez. A vida é longa e eu aprendi a nunca dizer nunca.
E o que se escreve fora dos EUA, interessa-lhe? Conhece, por exemplo, alguma coisa da literatura portuguesa? Durante um ano, estudei em Sevilha e li muito em espanhol: Cervantes, Borges, García Márquez, esses todos. Mas, para ser honesto, não consigo lembrar-me de nenhum escritor português que tenha lido.
Os críticos costumam ser muito duros ao avaliar os seus livros. Dizem que o Dan escreve mal, que o seu estilo é pesadão ou ridículo, que as personagens não têm espessura psicológica, etc. Estas opiniões afectam-no? Aborrecem-no? Reflecte sobre elas ou ignora-as? É preciso ignorá-las completamente. Eu queria muito que toda a gente gostasse do meu trabalho, mas não é assim que funciona. Sobretudo quando se tem muito sucesso comercial.
Fica zangado ao ler as críticas negativas? Costumava ficar. Mas agora isso já não me afecta. A partir de certa altura, segui um conselho que me deram: não oiças os teus críticos e não oiças o que dizem as pessoas que gostam de ti. Porque se ouvires as pessoas que dizem que és um génio, ficas preguiçoso, armado em bom, etc. E se ouvires os que te arrasam, ficas inseguro e deixas de confiar em ti mesmo. A essas pessoas, não lhes ligues. Escreve o que te apetecer, como te apetecer. Se as críticas negativas me afectassem, eu talvez escrevesse de outra maneira. A verdade é que escrevo exactamente como sempre escrevi, numa prosa muito moderna, transparente e fácil de ler. Uma prosa cujo único objectivo é servir a história que quero contar.
Numa das primeiras cenas de "O Símbolo Perdido", a sua minúcia descritiva vai ao ponto de assinalar a marca dos motores do avião a jacto em que Robert Langdon viaja. Será que precisávamos mesmo de saber isto? Para mim, são os pequenos detalhes que nos fazem acreditar no que lemos. É o detalhe que transporta o leitor para as situações e permite que este diga: "OK, o escritor esteve ali, ele sabe do que está a falar." No fundo, é sempre uma questão de gosto. No seu caso, talvez preferisse que o meu livro fosse menos específico. Respeito isso. Mas eu só posso escrever aquilo que gostaria de ler. E eu gosto desse tipo de detalhes.
Entre esses detalhes de que fala, estão muitas referências a marcas de carros, de telemóveis, etc. Há quem diga que deve ganhar bom dinheiro com o product placement nos seus livros. É verdade que essas referências têm um determinado valor comercial, mas eu nunca aceitei dinheiro das marcas. Nem dinheiro nem outra coisa qualquer.
No livro também há referências ao mundo da Web 2.0. Uma das personagens escreve um blogue, outra fala do Twitter. Eu interesso-me muito por tecnologia. Sei perfeitamente como funciona o microblogging e embora não escreva tweets, tenho uma conta para seguir um pouco do que se vai escrevendo nesta plataforma.
Já houve muitas reacções no Twitter à presença do Twitter em "O Símbolo Perdido"? Oh, sim. Imensas.
A última palavra do livro é "Esperança" ("Hope") e surge no final de uma descrição idílica do nascer do sol em Washington. Acontece que esta palavra foi usada, como slogan eleitoral, por um certo político que curiosamente agora vive... em Washington. Devo dizer que essa última palavra já existia muito antes da eleição de Barack Obama.
De certeza? Absoluta. Durante a campanha presidencial eu estava fora do mundo, a acabar o livro. Não liguei a nada do que se passava na política americana. Foi só depois da eleição que alguém me disse que eu devia gostar muito de Barack Obama, para fechar o livro com a tal palavra. Mas a verdade é que não foi intencional.
Foi o quê, então? Uma coincidência? Isso. Uma coincidência.
Como assim, se o Dan não acredita em coincidências? Pois é. Não acredito em coincidências. Se calhar fizeram-me uma lavagem ao cérebro. (Risos)
No dia em que o livro foi lançado, muita gente comentou um facto inédito. No site da Amazon, a versão e-book de "O Símbolo Perdido" vendeu mais do que a versão em papel. Será isto o início de uma revolução digital no mundo dos livros? Não sei se lhe podemos chamar uma revolução. Eu leio e-books. Tenho os leitores todos que saíram, menos o Nook, da Barnes & Noble, que saiu a semana passada. Mas continuo a preferir os livros em papel. Se estiver em casa, leio um de capa dura. Se for à praia, levo um de bolso. Se viajar, opto pelo Kindle. No fim de contas é só um aparelho, outra forma de ler. As questões mais sérias são as que se prendem com a pirataria e o futuro dos editores. Quanto a esta questão, contrariamente ao que pensa muita gente, acho que o e-book vai ser bom para os editores. No momento em que qualquer pessoa tiver acesso a uma distribuição global da informação, haverá tantos maus livros a circular que o leitor não saberá como orientar-se. Os editores serão nessa altura uma referência de qualidade, uma forma de separar o trigo do joio, pelo que acho que terão ainda mais importância do que têm hoje, e não menos.
Pode saber-se que livro é que está agora no seu leitor de e-books? Pode. São as "Cartas da Terra", do Mark Twain. É um livro hilariante. Muito divertido, muito inteligente, muito à frente do seu tempo. A secção sobre a Arca de Noé, por exemplo, é uma das coisas mais engraçadas que alguma vez li.
E agora? Vamos ter que esperar mais seis anos pelo sucessor de "O Símbolo Perdido"? Espero que não. Neste momento estou a colaborar na escrita do argumento cinematográfico de "Deception Point" ("A Conspiração", Bertrand). Mas quando o guião estiver terminado, tenciono jogar um bocadinho de ténis, um bocadinho de golfe, e depois volto ao trabalho.
Entrevista publicada na Revista Única de 31 de Outubro de 2009
Fonte: www.expresso.pt
Marcadores: entrevistas

Assim como no ano passado, apostei todas as fichas nos deuses da escrita e me inscrevi no National Novel Writing Month 2009, ou NaNoWriMo 2009. Para aqueles que acham que estou falando grego, eu explico que raios é isto: Basicamente, é um concurso internacional anual onde os participantes se propoem a escrever um livro de 50.000 palavras em um mês, começando exatamente hoje até o dia 31. São 1.667 palavras por dia, chova ou faça sol. Os ganhadores são todos os que conseguirem atingir esta meta, e levam como prêmio, além da satisfação pessoal, um manuscrito de um livro pronto para virar livro.
Ano passado eu consegui, mesmo achando que novembro é o pior mês para o concurso. Mas já percebi que o problema não é o mês em si, pois se o concurso fosse em um mês de férias, como janeiro ou julho, as desculpas apareceriam do mesmo jeito. Só para ter uma ideia, olha a minha agenda para novembro:
Dia 5 - Apresentação da monografia, que preciso preparar antes.
Dia 8 - Prova do ENADE.
Dia 9 - Apresentação de trabalho em sala de aula, que preciso preparar e escrever antes.
Dias 19 à 22 - Feira de Filosofia da Nova Acrópole, que quero ajudar de alguma forma.
Dias 25 à 31 - Provas finais, que preciso estudar antes.
Fora as metas de leitura de livros e contos do Clube de Leitura do Meia Palavra e resenhas dos enviados pela Editora Planeta. E tenho a certeza de que ainda irão aparecer outros tantos compromissos urgentes para acrescentar aí.
Mas não tenho medo, ano passado tava assim e venci. Esse ano hei de vencer. Aqueles que fazem 1000 coisas conseguem fazer 1001, mas quem não faz uma nem tentará fazer duas. Esta é a minha perspectiva, desejem-me sorte.
Para os que quiserem acompanhar a minha labuta durante o mês, instalei o contador de palavras na barra lateral do blog, ou então visitar o meu perfil no site nanowrimo.org. Ah, e se quiserem ver sobre o que estarei escrevendo, leiam o conto que escrevi em 2008, Bodas de Papel, que estou transformando no livro Jamais Direi Eu Te Amo.
1 abraço
Marcadores: desafio de escrita
Encerrada a promoção Desculpa se te Chamo de Amor e, desta vez, como não há critérios de julgamento das respostas, somente a boa e velha sorte, saiu o resultado logo em seguida. O sorteio foi feito pelo site Random.org e os cinco primeiros números da lista foram:
Dos 50 que comentaram na promoção, o comentário de número 43 foi este:
Portanto, parabéns, Bob. Você tem 10 dias para reclamar o seu prêmio, mostrando os seus dados de contato (só o email basta) no seu perfil do blogger, que atualmente está restrito. Se até o dia 10/11/2009 não houver nenhum contato, o prêmio passará automaticamente para o segundo sorteado na lista, que também terá 10 dias para se manifestar, e assim, sucessivamente até que o livro vá de vez pra algum de vocês.
Para quem não ganhou, lamento, mas era somente um livro entre 50 concorrentes (sendo que alguns não o levariam por não terem seguido as regras de identificação). Esta semana posto a nova promoção, e com uma surpresa: o ganhador poderá escolher o prêmio.
No mais, o meu muito obrigado aos participantes pelos comentários e a Editora Planeta pelo apoio.
1 abraço
Marcadores: promoções
A Microsoft havia anunciado o lançamento da atualização para a nova correção ortográfica da língua portuguesa para o segundo semestre, e ela saiu finalmente este mês. A atualização está de acordo com a publicação oficial da Academia Brasileira de Letras, o Dicionário Ortográfico da Língua Portuguesa e irá funcionar só para o Office 2007 com o Service Pack 2 instalado. Esta atualização torna o Verificador Ortográfico, o Dicionário de Sinônimos e o Verificador Gramatical em português (Brasil) do Microsoft Office 2007 compatíveis com a reforma ortográfica de 2009 do idioma português (Brasil).
Para baixar a atualização, acesse o download direto, neste link.
Se quiser ver a página oficial da Microsoft com mais detalhes sobre a atualização:
http://www.microsoft.com/brasil/office/reforma/home.aspx
Refere-se: Word 2007, Excel, PowerPoint, Outlook
Para que este aplicativo funcione corretamente, observe os Requisitos do Sistema listados abaixo:
* Sistemas Operacionais com Suporte: Windows Server 2003; Windows Vista; Windows XP
* Esta atualização destina-se aos seguintes produtos: Revisores de Texto do Microsoft Office 2007
* Versão do Windows Installer com suporte: Windows Installer 3.1 ou superior. O Windows Server 2003 Service Pack 1 inclui o Windows Installer 3.1. O Windows Installer 3.1 também está disponível como um download à parte no seguinte local:
Windows Installer 3.1 Redistributable (v2)
Certifique-se de ter instalado em sua máquina versões do Microsoft Office 2007 (em Português ou em Inglês).
Este livro foi gentilmente cedido e enviado pelo autor/editora para ser resenhado. Fica, assim, automaticamente sujeito à Política sobre Resenhas Solicitadas deste blog. O texto abaixo pode conter revelações sobre o enredo (spoilers).
Dexter está de volta, com as facas e o humor negro mais afiados que nunca. E isto é um fato: qualquer leitor que tenha lido o primeiro livro da série, Dexter: a mão esquerda de Deus (Planeta, 2008) percebe a nítida melhora do personagem e da trama no segundo volume, Querido e Devotado Dexter (Planeta, 2009), lançado há alguns meses no Brasil. Jeff Lindsay consegue deixar o seu assassino favorito mais sarcástico que o Dr. House e Stewe (da série Uma família da pesada) juntos, e até mais sarcástico – e sombrio – que o Dexter da tevê. Parece que suavizaram o personagem adaptado para a telinha, assim como os seus arquiinimigos, para não chocar tanto os politicamente corretos.Nesta continuação, Dex se vê interpretando um papel com o qual não está acostumado: agora ele é a caça. De dois caçadores experientes na arte de matar. O sargento Doakes o segue por todos os lugares, tentando provar as suas suspeitas levantadas desde o final do primeiro livro. E, tanto Doakes quanto Dexter sabem reconhecer os seus pares, percebem o instinto assassino no olhar. Essa situação força Dexter a assumir uma postura “normal”, deixando de lado seu passatempo noturno favorito e ficando mais tempo na casa da Rita, seus filhos Astor e Cody, conhecendo a maravilha moderna (norte-americana?) que é beber cerveja light em frente a tevê. Uma dose de calmante cavalar para o Passageiro das Trevas. Além disso, surge um novo assassino em Miami, o famigerado Doutor Danco (um vilão bem mais perigoso no livro), que busca vingança em antigos companheiros de guerra. Dexter é forçado a persegui-lo e se vê enfrentando um adversário mais enigmático e bem treinado que ele. O mais importante não é quem sairá ileso (Dexter, Doakes ou Danco) deste duelo triplo com altas doses de adrenalina, insânia e testosterona, pois os outros dois livros sequenciais do perito em borrifos (com sede) de sangue já revelam muito sobre quem sobrevive. Mas o como e o porquê Dexter entrar e sair de tantas enrascadas é o charme que só Lindsay teve a ousadia e imaginação de criar.
Um dos principais atrativos do livro são as tiradas espirituosas, sarcásticas e carregadas de humor negro de Dexter frente a situações comuns e outras não tão comuns. Como na cena em que os paramédicos chegam para socorrer uma vítima do Dr. Danco e conversam com Dexter:
- Há lugar para mais um? – perguntei. Não vai ocupar muito espaço, mas vai precisar de forte sedação.Aforismos impiedosamente mordazes são com ele. Ninguém escapa: policiais, gordas, motoristas, cadáveres, assassinos e até ele mesmo. Em média, são três comentários espirituosos por página. O segundo livro também inova ao mostrar Dexter chamando-se na terceira pessoa do singular com adjetivos para demonstrar como está o seu estado de espírito (lembre-se que ele é um sociopata sem emoções ou remorso): Dexter Desastrado, Bom e Submisso Dexter, Dexter Domesticado, Querido e Devotado Dexter, sendo este último, o título escolhido para o livro pelos leitores em um concurso na internet.
- Em que estado ele está? – perguntou o cara de cabelo espetado.
Era uma boa pergunta para alguém da sua profissão, mas as respostas que me ocorreram eram um tanto impertinentes, de modo que falei apenas:
- Acho que você também vai precisar de forte sedação.
Outro atrativo, este agora para os seguidores da série Dexter (Showtime, 2006), é que a história do segundo livro é diferente da segunda temporada na tevê. Ambas são melhores que as primeiras, mas tomam rumos diferentes a partir da única mudança que ocorre entre o final do primeiro livro e o final da primeira temporada. Na tevê, o foco inevitavelmente recai sobre Lila, sem dúvida uma das vilãs mais "quentes" e loucas que já apareceram, e não sei se ela aparece nos próximos livros. Já no segundo livro, quem rouba a cena, depois de Dexter, é claro, é o Dr. Danco. Com importante participação do sargento Doakes. E como a série já está na quarta temporada e o segundo livro só agora chega às livrarias brasileiras, consegue-se perceber quais sub-tramas foram retiradas de qual livro. Algumas delas são dos primeiros livros mas estão recém aparecendo nas telas, na temporada atual, em contextos diferentes.
A editora somente pecou neste volume na parte de revisão, deixando passar um “imdeiato” ao invés de imediato (pg. 27), um “linhas obrigações” ao invés de minhas obrigações (pg. 134) e um erro bizarro na pg. 71, onde aparece um número e pula-se 3 linhas no texto sem qualquer justificativa:
"O coronel abriu a boca, e Doakes ergueu as sobrancelhas. Após pensar um pouco, vendo o rosto sob aquelas sobrancelhas, o coronel-37Fica o aviso para uma revisão mais apurada na próxima tiragem da edição e uma maior atenção ao lançarem o terceiro livro da série que, ao que tudo indica, deve pintar no Brasil em 2010. Mesmo assim, tais detalhes gramaticais não chegam a estragar a maravilha que é entrar na mente perturbada e afiada de um serial-killer. Querido e devotado, mas mesmo assim, um serial-killer.
-comandante decidiu desistir.
O capitão Matthews pigarreou, numa tentativa de recuperar o controle."

Veja também:
- Resenha de Dexter: a mão esquerda de Deus, de Jeff Lindsay;
Tema de abertura da série:










