Nova

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No começo, existia apenas o silêncio. Calado. Sozinho. Esperando. E quando o som criador trouxe o suspiro, o sussurro, o murmuro, o zumbido, o chiado, o guincho, o estampido, o barulho, o ruído, a fala, o canto, a música, o berro, o grito, o estrondo, o alarido, a algazarra, a explosão e, por fim, a surdez, nada mais permaneceu como era. Exceto o silêncio. Ele continuou calado. Sozinho. Esperando.

Levou apenas cinco segundos. Um. A porta do quarto abriu-se e os brutamontes carregaram o homem desacordado para dentro. Dois. O depositaram sem muita cerimônia sobre a cama e desataram as mãos. Três. Saíram e trancaram a porta. Quatro. O homem abriu os olhos e sentou-se. Cinco. Olhou para mim e sorriu.

Havia algo naquele sorriso que me incomodava. Era o tipo de sorriso dado quando sabem de algo que você desconhece e não fazem questão de que isto mude. Ou um sorriso de alguém extremamente feliz, como se tivesse alcançado um prêmio. Tentei disfarçar retornando ao livro que lia, mas com a minha cama a dois metros era apenas uma questão de tempo até ser interrompido. Por ele ou pela curiosidade. Porém, foi ele quem tomou a iniciativa.

- Desculpe interromper, amigo, mas reparei o título do livro que você está lendo, O Livro das Ausências, e acredito que talvez não haja nada mais adequado para definir este lugar. A começar pelas cores. Por que tudo aqui tem que ser branco? Paredes, roupas de cama, uniformes, até mesmo o aroma que impregna o ar parece-me branco. Será que talvez acreditem que nos privando do contato com cores, ambientes, aromas, sons e pessoas vão nos curar mais rápido, forçando a multiplicidade de nossos pensamentos a se tornar una, coesa e melhor categorizada como algo próximo da normalidade?

Diante de meu olhar indicando que seria a minha única resposta, ele prosseguiu.

- Mas que grosseria a minha, meu nome é *** e sou um pequeno proprietário de terras na região de ***. E o seu nome é? … Bem, talvez o senhor seja do tipo calado, não? ... Eu não quero soar como um intrometido, apenas espero que minha estadia nesse estabelecimento seja a mais breve possível e, como estamos a sós, talvez pudéssemos usufruir da companhia um do outro para tornar o tempo aqui, como posso dizer, suportável. O que o senhor acha?

A fala do homem indicava se tratar de um cavalheiro, com uma certa educação e bons modos, apesar de ter uma tendência levemente irritante a repetir a palavra talvez e a fazer perguntas em demasia. Contudo, ainda era cedo para travar uma amizade. Eu precisava descobrir que tipo de problema o meu novo colega de quarto tinha. Apesar da minha postura despreocupada, estava com todos os meus sentidos alertas para que, ao menor sinal de ataque, usasse o livro como escudo. Era um volume de capa dura e bom peso que poderia facilmente também ser usado para contra-atacar. Os enfermeiros se esqueceram deste detalhe, para a minha sorte.

- Engraçado como são as circunstâncias da vida – continuou – o senhor sabia que se aqui eu não estivesse, a esta hora estaria contraindo matrimônio? Isso mesmo, apesar de ver em seu olhar a expressão de surpresa e dúvida, juro pelo que existe de mais sagrado que é a mais pura verdade. Faz a gente pensar nas possibilidades, talvez coisas como universos paralelos e hipóteses espaço-temporais, não? Mas não vou lhe incomodar com os detalhes sobre a minha desventura com a doce Selena, deixo-o retornar à sua leitura.

Se fosse um jogo de xadrez, poderia jurar que ele acabara de pôr em xeque a minha curiosidade. Todavia, provavelmente ele também estivesse procurando me analisar, descobrir qual a minha neurose e com os mesmos receios que eu sobre os perigos de se ter um companheiro desconhecido num lugar como este. Resolvi me arriscar sacrificando o meu cavalo para descobrir a próxima jogada dele. Fechei o livro e o coloquei ao meu lado na cama. Depois, fixei os meus olhos atentos em meu colega. Isso pareceu animá-lo.

- Muito bem, muito bem. Excelente, meu amigo, antevejo que nos daremos muito bem. E como sinal de minha simpatia pelo seu ato, irei narrar-lhe a sina que me trouxe até aqui e causou a minha ruína amorosa. Talvez possamos ser amigos.

Talvez.

“Tudo começou há três anos, quando terminei os estudos na capital e retornei à Estância Serenidade, no município de ***, a fim de cuidar as terras que haveria de herdar. Como filho único, fui acolhido com lágrimas pela minha velha mãe e esperanças pelos leais empregados. A estância localizava-se em um bonito e amplo vale cercado de montanhas. Apesar de produtiva, não apresentava ser uma tarefa fácil retomar a glória e riqueza do passado. Salvo uma parca plantação e criação de animais caseiros para a subsistência, a terra estivera abandonada desde que meu pai falecera. Aguardava pacientemente o regresso do filho doutor, diplomado pródigo. Mas eu estava motivado a me fazer tão respeitável quanto meu pai fora. A primeira medida que tomei foi espalhar pelas cidades e vilas próximas a notícia que estávamos contratando agregados. Em poucos dias, as famílias começaram a chegar para as entrevistas. Contratei quatro ao todo. Dentre elas, estava a família Maan, de ascendência holandesa. O senhor e a senhora Maan viviam na cidade com três filhas moças e buscavam os ares campesinos para melhorar a saúde de uma das filhas. Eles ficaram estabelecidos no casebre mais próximo à sede e eu nem imaginava que ali começava a melhor e ao mesmo tempo pior época da minha vida.”

“As semanas se passavam e eu quase não tinha tempo para parar na estância. As minhas visitas ao banco eram frequentes. Precisava de dinheiro para comprar sementes e ferramentas, além de alguns animais para iniciar a produção de leite, ovos e carnes. A vida no vale fervilhava. Os agregados honravam a sua parte do acordo trabalhando de sol a sol. Minha mãe lembrava com nostalgia os bons anos de papai. Ela fazia questão de convidar a cada domingo uma das famílias dos trabalhadores para almoçar, com a desculpa de conhecê-los melhor, mas sempre suspeitei que era para ter ouvidos inéditos às suas histórias. Em uma destas ocasiões, conheci as senhoritas Maan: Einódia, Diana e Selena. Todas muito belas, de pele e olhos claros como é característico dos povos neerlandeses. Porém, cada senhorita possuía características próprias que as distinguiam das irmãs. Por exemplo, Einódia, a mais velha, costumava ser vista sempre acompanhada por um grande cão negro como seu guardião aonde quer que fosse. Revelou que gostava de passear com ele pelas estradas à noite. Possuía olhos incisivos e mandava nas irmãs. Provavelmente, sem imposição de um gênio forte, mandaria em qualquer um que a conhecesse. A filha do meio, Diana, despertou a atenção de minha mãe ao confessar ser contra o casamento, pois desejava ser livre para andar pelos bosques e fazer coisas que os homens normalmente proibiam às esposas, como caçar ou lutar em guerras. Isso ia de encontro à opinião conservadora de mamãe, que acreditava ser uma verdade universalmente velada pela mulher a obrigação de oferecer-se como esposa ao homem solteiro em posse de uma boa fortuna. Por serem de índoles tão contraditórias, mamãe e Diana simpatizaram de imediato uma com a outra. E, por último, Selena, a caçula, era a filha silenciosa e comedida. Com uma tez um tanto quanto abatida para o meu gosto, era a filha enfermiça e, por isso, cercada de mimos e cuidados. Comentava-se que fora por causa dela que a família mudara-se para o campo. Os fuxicos diziam que na cidade, ela havia entrado em um desânimo profundo depois de uma forte desilusão amorosa. Eu a observava e pensava se fora este fato que teria afligido tristeza à sua personalidade deixando-a tão distinta das irmãs ou se ela era já era assim antes. Aquela melancolia aparente a tornava única em uma família que exalava geniosidade e impetuosidade. Selena parecia brilhar em meio à noite escura.”

“Depois daquele dia, não sei quais foram os mecanismos subconscientes em mim que iniciaram uma ação paulatina para me atormentar, fazendo-me sonhar com Selena durante as noites e vislumbrar o seu rosto durante os dias. Eu procurava pensar no trabalho, que começava a produzir os seus primeiros frutos. Tentava fantasiar imposições que a tornassem menos atraente aos meus olhos: ela deveria ter o mesmo gênio indomável das irmãs, ou que a sua condição mais baixa não a tornava o melhor partido para mim e minha mãe vivia sugerindo damas de igual posição nas redondezas. Contudo, nada funcionou e eu me perdi tolamente quando Eros deixou um presente cravado em meu peito, uma seta em forma de S.”

“Minha mãe percebeu a minha mudança de ânimo e minhas frequentes visitas à residência dos Maan e me aconselhou a ter cautela. Ela e Diana conversavam sobre a minha postura diante de Selena e caçoavam da minha falta de jeito. Hoje, lembrando aquela época, acredito que todos percebiam, mas não o demonstravam claramente por respeito à minha posição. Quando confessei abertamente à minha mãe o desejo que crescia em mim por relacionar-me com Selena, ela mandou chamar o Senhor Mann e fez apenas uma exigência: Selena deveria revelar os detalhes sobre o incidente ocorrido na cidade antes de qualquer entendimento entre as famílias. Era preciso saber se ela ainda era uma moça honrada. A natural exigência de minha preocupada mãe, é claro, foi recusada de imediato pelo patriarca dos Maan, enterrando quaisquer esperanças que eu tivesse com Selena.”

(Continua...)

Uma imagem em 35 palavras (8)

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Às vezes acho que o Universo conspira 
para que eu me revolte e vire uma pessoa má. 
Às vezes começo a acreditar nisso, 

e me revolto e sou mau justamente contra os planos dele.

Os 10 livros mais abandonados pelos brasileiros em 2012

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Em dezembro de 2010 escrevi um post com os 10 livros mais abandonados, conforme as estatísticas de cada livro no Skoob. Como tenho consciência de que a lista muda com o tempo, resolvi verificar se as estatísticas se mantiveram ou se entrou algum outro livro amaldiçoado na lista. Os números na frente e as setas ↓ e ↑ indicam quantas posições os livros subiram ou desceram na classificação de 2010 e a de hoje. Para a estatística não ficar injusta, estabeleci como parâmetro listar apenas livros com no mínimo 500 leitores, pois pode influenciar diretamente na porcentagem. Por exemplo, livros com apenas um leitor e um abandono, apesar da porcentagem ficar em 100%, não refletiria a sua posição real por causa de apenas um leitor. As casas decimais acima de 10% foram arredondadas.
  1. 1↑ Atlantis, de David Gibbins: 30% de abandonos;
  2. 1↑ O Mundo de Sofia, de Jostein Gaarder: 21% de abandonos;
  3. 2↑ Bíblia Sagrada, diversos autores: 15% de abandonos;
  4. 2↑ A Divina Comédia, de Dante Alighieri: 16% de abandonos;
  5. 1↓ O Enigma do Quatro, de Ian Caldwell e Dustin Thomason: 14% de abandonos;
  6. 1↑ A Cabana, de William P. Young: 12% de abandonos;
  7. 1↑ Memorial do Convento, de José Saramago: 12% de abandonos;
  8. 2↑ A Menina que Roubava Livros, de Markus Suzak: 10% de abandonos;
  9. [novo] O Nome da Rosa, de Humberto Eco: 10% de abandonos;
  10. [novo] O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë: 9,39% de abandonos;
Com base nos meus critérios de "justiça" para com os livros, de um número mínimo de leitores, tive de reitrar o 1º colocado da lista anterior, o Ulisses, de James Joyce, pois não atingiu o número mínimo de leitores (apenas 401 o leram), o que talvez mude em breve (111 o estão lendo) devido ao lançamento recente da nova tradução Cia das Letras/Penguin. Também não consegui encontrar nenhum livro brasileiro acima dos 9% de abandono. Outro dado interessante: os livros mais lidos (a maioria bestsellers), apesar de uma quantidade enorme de abandonos em número, são os com menor porcentagem, ficando abaixo dos 4%. Me parece que os 4% está sendo uma porcentagem ideal de abandono para qualquer livro.

Alguns livros que poderão entrar na lista logo logo são: Ulisses, de James Joyce (41% de 401 leitores); Minha Luta, de Adolf Hitler (22% de 436 leitores); Notícia de um Sequestro, de Gabriel García Márquez (9,27% de 550 leitores); As Crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis (9,12% de 21,042 leitores).

E você, conhece algum livro que poderia entrar fácil no WORST10, com mais de 500 leitores e acima dos 9% de rejeição? Basta se lembrar de qual foi o pior livro que você leu e falar o título e autor que pesquiso e faço as contas rapidinho.

O sonho de Zhuangzi, por Zhuangzi

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Uma vez, ao pôr do sol, Zhuangzi cochilava debaixo de uma árvore quando sonhou que havia se transformado numa borboleta.

Ele bateu asas, certo de que era uma borboleta...

Esvoaçou aqui e ali com tal regozijo que logo se esqueceu de que era Zhuangzi. E ficou confuso: era essa a magnífica borboleta que Zhuangzi havia sonhado, ou era essa borboleta que havia sonhado ser Zhuangzi? 

Talvez Shuangzi fosse a borboleta! Ou talvez a borboleta fosse Zhuangzi!

É esse o resultado da transformação das coisas.

Retirado do livro Fábulas Chinesas - Sérgio Capparelli & Márcia Schmaltz

Em Chamas, de Suzanne Collins

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[Atenção: o texto pode conter spoilers, revelações sobre o enredo] 

No segundo volume da trilogia Jogos Vorazes, a autora Suzanne Collins consegue convencer. Apesar de o livro demorar a acontecer, com os primeiros capítulos sendo uma mera recapitulação do livro anterior, Collins faz a sua jogada de mestre colocando os tributos-protagonistas do Distrito 12, Katniss e Peeta, novamente na arena. Daí o leitor poderia pensar que a história vai ser uma mera repetição do primeiro livro, mas se engana: a escolha dos tributos segue a regra diferenciada da 75ª edição (especial) dos Jogos, o Massacre Quaternário; os treinamentos e entrevistas na Capital acrescentam informações às que já conhecemos e tornam-se a parte mais divertida do livro; os adversários e a arena passam a ser mais cruéis e mortíferos. O clima de revolta contra os Jogos e contra a tirania da Capital aumenta. Dois pontos a favor e um contra: o triângulo amoroso imaginário que acontece mais na cabeça de Katniss não ganha tanto destaque, deixando a leitura com menos cara de chicklit; os outros competidores são melhores desenvolvidos, alguns conseguindo criar empatia com a protagonista e leitores mesmo sendo novos; porém, Katniss passa o livro inteiro perdida sobre os planos de Haymitch, quando o leitor já consegue suspeitar o que está rolando faz tempo. Enfim, a sequência me surpreendeu e animou como leitor e conseguiu abrir uma boa deixa para o terceiro livro: a revolução.

Ficha técnica
Título: Em Chamas (Catching Fire)
Autora: Suzanne Collins (Estados Unidos, 1962-)
Tradutor: Alexandre D'Elia
Editora: Rocco
Ano: 2009 (EUA), 2011 (Brasil)
Páginas: 413

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Serviços Pré-póstumos para Escritores

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Escolha abaixo o epitáfio que melhor se enquadra em seu estilo literário.
As opções foram retiradas do seu subconsciente.
Seja rápido, você pode não ter uma segunda oportunidade.

PARA O BEST-SELLERISTA
“Aguardem a minha continuação até o final do ano.”
“Quero saber qual personagem engraçadinho me matou.”
“Quando vi a luz no fim do túnel não aguentei: até aqui o maldito branco me persegue!”

PARA O AMADOR
“Até que enfim um texto publicado!”
“Que m#*#@ de final é esse? Tem como reescrever?”
“Escondiam meus livros nas últimas estantes. Agora me escondem no final do cemitério.”

PARA O GHOSTWRITER
“Saí do armário!”
“Tantos textos aos outros e esqueci o meu. (Apud)”
“Fiel à profissão, continuo atendendo na Casa Espírita Chico Xavier.”

PARA O SUICIDA
“Explico tudo em um dos meus livros. Ou: o que não fazemos para vender?”
“Minha melhor inspiração foi virar inspiração.”
“Alguém sabe o telefone do Max Brod?”

PARA O ERÓTICO E S&M
“Estou duro e rígido na sua frente, baby!”
“Flatofilistas e necrófilos, usem-me & abusem-me!”
“Nos braços da morte, o meu último gozo é entrar no buraco e depois ser comido. Ui.”

PARA O FILOSÓFO
“E a carne se fez verbo.”
“Os mortos não mentem. Bem, só quando falam.”
“O inferno do escritor é ver-se sepultado em uma estante poeirenta.”

PARA O DE TERROR E SUSPENSE
“Estava esperando você. Agora não mais.”
“Disfarce e não olhe para trás. Nós não estamos sozinhos.”
“No fundo da cova, ouvi uma voz chamando o próximo. Era o seu nome, leitor.

Obra Completa: Jostein Gaarder

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Sou um apreciador da filosofia. E, desde que li O Mundo de Sofia, acompanho de perto os outros trabalhos do norueguês Jostein Gaarder. Os seus livros, além de serem focados no público infanto-juvenil, sempre apresentam algum conceito filosófico ou mito de modo fácil.

O AUTOR
[wikipedia ON] Jostein Gaarder (Oslo, 8 de agosto de 1952) é um escritor filho de um casal de professores e intelectual norueguês. É autor de romances filosóficos, contos e histórias. Antes de lançar sua carreira de escritor dava aulas de filosofia. O seu trabalho mais conhecido é O Mundo de Sofia, que relata um romance acerca da história da filosofia, com o enredo girando em torno de uma menina direcionada por um filósofo misterioso, que repassa todas as etapas da filosofia, desde os pré-socráticos até os contemporâneos.[wikipedia OFF]

Seguem abaixo os livros do autor que já li. Dos 23 cadastrados no Skoob, são 7 até agora.
    ROMANCES
  1. Vita Brevis (1997, Companhia das Letras) 
  2. O Mundo de Sofia (1998, Companhia das Letras) 
  3. O Dia do Coringa (1998, Companhia das Letras)
  4. Através do Espelho (1998, Companhia das Letras)
  5. A Biblioteca Mágica de Bibbi Bokken (2003, Companhia das Letras)
  6. O Vendedor de Histórias (2004, Companhia das Letras)

    CONTOS 

  7. O Pássaro Raro (2001, Companhia das Letras)

A bicicletinha branca

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Quiseram os deuses que eu renascesse como uma bicicleta branca. Tomei consciência da minha existência no exato momento em que montaram minhas últimas peças: um par de rodinhas laterais para equilibrar ciclistas iniciantes. Eu tinha cheiro de tinta e borracha frescas. A minha manjedoura foi uma fábrica grande e bem iluminada, com muitas pessoas atarefadas correndo para cima e para baixo. Desejava falar um oi para os que passavam por mim mas não tinha boca. Só uma pequena campainha que funcionava com buzina e não era capaz de acioná-la sozinha. Porém, a minha estadia na fábrica foi breve, assim que saí da esteira de produção me enrolaram em um plástico transparente e me colocaram em uma caixa de papelão. No escuro, senti que me carregavam, levantavam, empilhavam, sacolejavam e me pareceu que fiz uma viagem eterna, pois quando me retiraram da caixa me vi em um lugar totalmente novo.

A loja oferecia brinquedos diversos nas prateleiras. Uma moça com uniforme azul passou uma flanela em mim e me colocou na vitrine, onde eu conseguia ver vários passantes. Acredito que era uma espécie de galpão cheio de lojas com horário de funcionamento, pois as pessoas paravam de passar uma determinada hora da noite e as luzes se apagavam. Nestas horas, eu me sentia muito só, porque não havia movimento algum exceto as rondas do vigia noturno e sua lanterna. Mas ele não me dava muita atenção. Contudo, o que eu gostava mesmo era dos finais de semana com crianças puxando os pais pela mão e apontando os dedinhos para mim. Algumas riam outras choravam, e os olhinhos sempre revelavam sonhos infantis. Já estava me acostumando àquela rotina quando fui vendida.

Tímida a princípio, a menininha de cabelos negros encaracolados só subiu em mim após os pais a incentivarem várias vezes. O pai precisou levantá-la e colocá-la sentada no selim. Eu parecia uma geringonça gigante do espaço perto da fragilidade da menina. Ela mal alcançava a ponta dos pezinhos no pedal quando ele ficava para baixo. Segui para uma nova morada, viajando na parte de trás de um carro. A menina não parava de me olhar e suspirar. Naquele final de semana, ela brincou comigo por muitas horas. Chorava sentida quando não conseguia fazer os movimentos que queria. Passaram-se dias até que ela perdesse o receio de andar sozinha, mesmo com as rodinhas laterais. Os seus pais me pareceram orgulhosos ao observarem ela aprender a pedalar, a fazer curvas, a frear. No começo segurava em meu guidão com tanta força que sentia suas mãozinhas delicadas encherem-se de pequenos calos. Fui me apegando aqueles momentos mágicos e passei a esperar ansiosa por eles. Quando não estava com ela ficava guardado na garagem e a via só de passagem, entrando e saindo do carro todos os dias usando rabo de cavalo, camiseta branca e mochila rosa.

Um dia o pai a ensinou a me lavar e senti suas mãos aquela manhã toda me esfregando com esponja e sabão, depois me enxaguando e me enxugando com um pano, para no fim eu estar toda limpa e ela imunda. Sempre, de tempos em tempos, com o pai ou sozinha, ela repetia metodicamente todo o processo de lavagem.

Como era de se esperar, uma hora chegou o grande dia. O pai apareceu com uma chave estrela e retirou as rodinhas de proteção. Depois, nos levou até uma praça aonde já estivéramos outras vezes. A garotinha parecia ansiosa. O pai segurou o guidão a equilibrando enquanto a mãe nos olhava à distância. Depois de um impulso ouvi o pai dizer que estava logo atrás dela, mas ele ficava cada vez mais longe. A menina só percebeu quando precisou fazer a curva e acabamos ambos no chão. Ela ganhou um machucado no joelho como lembrança e eu um quadro arranhado. Aquelas foram apenas as primeiras de muitas marcas. Acudida pelo pai, incentivada pela mãe, repetimos as tentativas até que, como em um passe de mágica, ela passou a ser amparada pelo próprio ar conseguindo equilibrar-se sozinha. Depois daquele dia a velocidade e a confiança da pequena aumentaram. Ela buzinava a campainha com felicidade e passou a andar com outras meninas e suas bicicletinhas. Eu amava ver os seus cabelos voarem ao vento e sentir ela terminar o dia toda suada e cansada de brincarmos juntos.

A garotinha já não era tão pequena, frágil e insegura como na primeira vez. Havia crescido e eu contribuíra de alguma forma. Ouvi os pais perguntando se ela não queria uma bicicleta maior já que eu estava ficando pequena para ela. Fiquei satisfeita quando ela disse não, que não me trocaria por nada, que eu era a eterna amiga dela. Mas já era assunto decidido. No próximo aniversário ela ganharia outra amiga e eu seria descartada. Provavelmente vendida ou doada de presente a algum parente que tivesse outra menininha. Naquele dia sentimos um aperto no coração, e saímos para a nossa despedida. Demos algumas voltas no quarteirão e quando voltávamos para casa o acidente aconteceu. Um carro desgovernado subiu em alta velocidade na calçada nos atingindo com brutalidade. Fomos jogadas longe. Eu, torta e quebrada, provavelmente sem possibilidade de conserto, olhava com dor a menininha caída ao meu lado, de olhar triste e vazio enquanto um fio vermelho escorria de sua boca. O motorista desceu visivelmente abalado. Havia bebido e se desesperou ao ver a menina. E eu me desesperei ainda mais ao ver que aquele motorista, que aquele assassino da menininha, na verdade era eu, antes de virar uma bicicletinha.

O Direito e a Literatura

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Como um eterno estudante de Direito, nada mais culturalmente inútil do que elaborar a lista dos grandes escritores da humanidade que se formaram em Direito. Mas atenção: não são simples bacharéis que escreveram um livro ou outro, principalmente na área do Direito, senão a lista seria gigantesca. Trata-se dos que escreveram livros considerados literatura universal. Prentendo atualizar a lista constantemente e se você quiser colaborar basta deixar um comentário com a sua indicação. A lista está em ordem alfabética, com indicação do lugar e época em que o escritor vive(u), a profissão ocupada relativa ao Direito e referências para consulta.
  1. Ariano Suassuna (Brasil, 1927-) - advogado, professor - Ref. #1
  2. Augusto dos Anjos (Brasil, 1884-1914) - professor - Ref. #1
  3. Bernardo Guimarães (Brasil, 1825-1844) - juiz, professor - Ref. #1
  4. Cícero (Roma, 106-44 a.C) - advogado, orador, político - Ref. #1
  5. Clarice Lispector (Brasil, 1920-1977) - Ref. #1
  6. Franz Kafka (Tchecoeslováquia, 1883-1924) - advogado - Ref. #1
  7. Gonçalves Dias (Brasil, 1823-1864) - professor - Ref. #1
  8. Graça Aranha (Brasil, 1868-1931) - juiz, diplomata - Ref. #1
  9. Gregório de Matos (Brasil, 1623-1696) - juiz, procurador, desembargador - Ref. #1
  10. Honoré de Balzac (França, 1799-1850) - Ref. #1
  11. João Carlos Marinho (Brasil, 1935-) - advogado - Ref #1
  12. Jorge Amado (Brasil, 1912-2001) - deputado federal - #1
  13. José Cândido de Carvalho (Brasil, 1914-1989) - advogado - Ref. #1
  14. José de Alencar (Brasil, 1829-1877) - deputado, ministro da justiça - Ref. #1
  15. John Luther Long (EUA, 1861-1927) - advogado - Ref. #1
  16. Liev Tolstói (Rússia, 1828-1910) - Ref. #1
  17. Lygia Fagundes Telles (Brasil, 1923-) - procuradora do IPESP - Ref. #1
  18. Luiz Antonio de Assis Brasil (Brasil, 1945-) - advogado - Ref. #1
  19. Manoel de Barros (Brasil, 1916-) - advogado - Ref. #1
  20. Mario Vargas Llosa (Peru, 1936-) - Ref. #1
  21. Monteiro Lobato (Brasil, 1882-1948) - advogado, promotor - Ref. #1
  22. Montesquieu (França, 1689-1755) - presidente da Câmara - Ref. #1
  23. Murilo Rubião (Brasil, 1916-1991) - Ref. #1
  24. Robert Louis Stevenson (Escócia, 1850-1894) - Ref. #1
  25. Rubem Fonseca (Brasil, 1925-) - comissário de polícia - Ref. #1
  26. Ruy Barbosa (Brasil, 1849-1923) - advogado, jurista, diplomata - Ref. #1
  27. Sêneca (Roma, 4 a.C.-65 d.C.) - advogado - Ref. #1 #2
  28. Stanislas de Rhodes (Inglaterra, 1857–1932) - advogado - Ref. #1
  29. Tobias Barreto (Brasil, 1839-1889) - professor - Ref. #1
  30. Vinicius de Moraes (Brasil, 1913-1980) - diplomata - Ref. #1
  31. Wallace Stevens (EUA, 1879-1955) - advogado - Ref. #1
Os que iniciaram o curso, mas não concluíram:
  1. Álvares de Azevedo (Brasil, 1831-1852) - Ref. #1
  2. Castro Alves (Brasil, 1847-1871) - Ref. #1
  3. Coelho Neto (Brasil, 1864-1934) - Ref. #1
  4. Fagundes Varella (Brasil, 1841-1875) - Ref. #1
  5. François Rabelais (França, 1484-1553) - Ref. #1
  6. Gabriel García Marquez (Colômbia, 1927-) - Ref. #1
  7. Gustave Flaubert (França, 1821-1880) - Ref. #1 #2
  8. Marcel Proust (França, 1871-1922) - Ref. #1 #2
  9. Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918) - Ref. #1
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