BlogDay 2007

Olá amigos,

Procurei indicar 5 blogs com foco o mais distante possível do meu. Ou seja, nenhum deles é sobre Literatura, Livros etc. Deixo aqui minhas indicações para o BlogDay 2007 para que todos possam conhecer estas pequenas pérolas que eu já venho lustrando há algum tempo. Aproveitem! Ah, e se gostarem (ou não) por favor comentem.

1 abraço.

Blog Day 2007

Acidez Mental
http://www.acidezmental.com/
Humor, mau humor e muita tranqueira pra baixar. No blog do Luiz Castro você encontra muita diversão, vídeos engraçados, comentários irônicos sobre a política, cultura, etc. Também há vários programinhas para baixar, eu mesmo sou freguês freqüente. Procurem lá o Curso de Oratória em mp3. Fantástico.

CineCombo
http://cinecombo.blogspot.com/
Downloads de torrents de filmes, séries e shows. O meu vício por filmes e seriados (quase) pode ser satisfeito nesse blog. Os torrents são disponibilizados já com a respectiva legenda. A equipe do CineCombo é formada por JESUS, MakrOn, Krystall, Bozano, FLY, Cris e Rep.Tocaia-INATEL. Depois me perguntam como é que eu consigo seguir tantas séries ao mesmo tempo. Assim fica fácil.

Dicas do Dia
http://neosite.ilogic.com.br/dicas/
Blog da empresa Neosite que fornece dicas de webdesign, programação, tecnologia, entre outras. Algumas dessas dicas já me foram muito úteis.

Kibe Loco
http://www.kibeloco.com.br/
A Verdade é ácida, e o kibe é cru! O blog do comediante Antonio Tabet é um dos mais conhecidos na internet brasileira. Minha indicação é meramente uma forma de dizer que o acompanho faz tempo. Apesar de achar que ele era bem mais criativo antes de pegar uns milhõezinhos da Globo.

Vida de Casado
http://vidadecasado.blogs.sapo.pt/
Eu sou solteiro. Mas as aventuras do cotidiano da vida de casado deste cara são no mínimo hilárias. Não lia coisas tão divertidas há tempos. Ah, e não sei porque, mas acredito que a filhinha dele é muito mais esperta que ele. É o único blog indicado que não é brasileiro.

Personalidade nua

A verdadeira índole de uma pessoa aparece quando ela possui uma razão justificada contra você.

Jefferson Luiz Maleski

Amigo, um Ensaio, de Marcelo Batalha

Difícil querer definir amigo. Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.

Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu.

É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.

É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.

Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.

Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos. Amigo é multimídia.

Olhos... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.

Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação: amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.

Escrito por Marcelo Batalha em 20 de outubro de 1996 e divulgado por e-mail. Retirado do site http://www.geocities.com/marcelobatalha/

CLB - Copa de Literatura Brasileira

Bem amigos da Rede Blog, chegou a hora. Depois de muitos preparativos, leituras e troca de e-mails, está no ar a Copa de Literatura Brasileira (http://www.copadeliteratura.com/).

A idéia é a de uma competição entre livros, com a estrutura de uma copa de futebol. Dois livros se enfrentam em uma partida, onde são lidos, resenhados e julgados por um árbitro. O melhor classificado na opinião do juiz, passa para a próxima fase. No total são 16 livros, escritos e lançados no Brasil em 2006, disputando a taça. O progenitor da CLB foi Lucas Murtinho, que se baseou em um campeonato americano - o The Morning News Tournament of Books - similar mas com um jeitinho brasileiro.

E por que apóio a CLB? Eu poderia citar ótimos motivos (além dos já existentes no site da CLB), que pareceriam hipócritas se não citasse o principal deles: sou um dos juízes de uma das partidas das oitavas de final (mais especificamente do Jogo 2: Memorial de Buenos Aires, de Antonio Fernando Borges contra O adiantado da hora, de Carlos Heitor Cony. Você pode ver a tabela dos jogos aqui. Caso queira votar na enquete no seu livro (ou escritor) favorito, clique aqui.

Memorial de Buenos Aires
Antonio Fernando Borges

O adiantado da hora
Carlos Heitor Cony







Veja o que outros sites já escreveram sobre a CLB:
- Digestivo Cultural
- O Globo Online

Amar!, de Florbela Espanca

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Poema publicado no livro Charneca em Flor (1931) e retirado do site http://www.biblio.com.br/conteudo/FlorbelaEspanca/obras.htm

Mitologia no vocabulário

Chego em casa cansado. Para relaxar, frito algumas MANDIOCAS, abro uma SKOL e ligo a televisão. Enquanto num canal passa HEBE, noutro aparecem os resultados do PAN-Americano e os preparativos dos chineses para os próximos jogos OLÍMPICOS. Desligo a tv, pego meu mp3 e mato as saudades do Camisa de VÊNUS. Vou até a janela e observo a minha vizinha DIONE - uma NINFETA - lavando roupas com sabão em pó MINERVA. Ela é o meu calcanhar de AQUILES, mesmo eu sendo de ÁRIES. E ainda dizem que sou NARCISISTA.

Organizo mentalmente em ordem CRONOLÓGICA os fatos do dia. Minha vida está aos poucos deixando de ser um CAOS.

De manhã fui a minha última sessão com o analista: segundo ele a minha PSIQUE está normal e o complexo de ÉDIPO que eu tinha está definitivamente superado. Porém, o que não está nada bem é o meu pé. Machuquei ele e agora tenho de passar MERCÚRIO todos os dias.

Depois, passei a tarde procurando emprego nos classificados. Com o meu atual e parco salário de vendedor de catálogo das lojas HERMES não consigo juntar dinheiro nem para comprar um tênis NIKE, quanto mais para trocar o meu carro usado, um APOLO gls 1990. Eu aceitaria até mesmo trabalhar em uma mina de URÂNIO na Bahia se fosse para ganhar mais. Só tenho de descobrir no ATLAS onde fica Caetité.

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Ter ou não ter namorado, de Artur da Távola

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo.

Namorado é a mais difícil das conquistas.

Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão, é fácil.

Mas namorado mesmo, é muito difícil. Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida ou bandoleira; basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado é quem não tem amor, é quem não sabe o gosto de namorar. Há quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento e dois amantes, mesmo assim pode não ter nenhum namorado.

Não tem namorado quem não sabe o gosto de chuva, cinema sessão das duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pacto de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pacto com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de durar.

Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora em que passa o filme, de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir agarrado, de fazer cesta abraçado, fazer compra junto.

Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira-d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem gosta sem curtir, quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada, ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações, quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz.

Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria.

Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida parar e de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

Crônica publicada no livro Amor a Sim Mesmo (1984, Nova Fronteira) e retirada do site http://www.arturdatavola.com

O Senhor da Foice, de Terry Pratchett

Se você procura um livro que te faça dar gargalhadas, ou refletir sobre questões profundas da existência humana, ou que mostre uma estória bastante original, achará as três coisas em O Senhor da Foice, do inglês Terry Pratchett. O livro faz parte da mundialmente famosa série Discworld, que já vendeu 40 milhões de exemplares e foi traduzida para 33 idiomas. É o melhor e mais inteligente humor britânico. A premissa principal de Discworld é satirizar os mitos e as lendas, o que o autor consegue com maestria. Imagine o Morte pensando no sentido de sua existência. Ou um vampiro que tem medo de altura. Ou magos que nos momentos cruciais passam a discutir detalhes insignificantes ao invés de agir. Tudo isso e muito mais aparece no universo criado por Pratchett.

Todos os volumes da série são inter-dependentes, isto é, se passam no mesmo cenário (o fantástico mundo do Discoworld), podem trazer personagens recorrentes (como o Morte), mas sempre em estórias distintas (com exceção do vol. 2 que é a continuação do vol. 1). Portanto, se você não leu nenhum dos volumes anteriores, fique tranqüilo que não se sentirá perdido. As referências às estórias anteriores são tão sutis quanto àquelas feitas a outros autores. Como ocorre nos livros que possuem muitas referências externas, conhecer mais sobre quem o autor está parafraseando tornará a sua leitura mais rica e interessante. Como no caso em que perguntam para o Morte se alguém já conseguira fugir dele, e a resposta é não, no máximo conseguiram atrasar um pouco a hora em um jogo de xadrez (o que acontece em O Sétimo Selo, filme de 1956 dirigido por Ingmar Bergman). Mas não conhecer as referências não lhe prejudicará em nada a diversão.

Outro aspecto interessante em Discworld é a descrição e interpretação de alguns aspectos da vida moderna pela ótica dos seres mitológicos. Você jamais verá um carrinho de supermercado e um shopping center da mesma maneira depois de ler este livro.

A estória gira em torno de dois personagens principais, e que praticamente não se encontram no livro: o Morte, o esqueleto da foice e do manto negro, e Windle Poons, um mago de 130 anos. Enquanto o primeiro é demitido e passa a trabalhar na colheita em uma fazenda interagindo mais com os seres humanos, o segundo morre, mas por não ter ninguém para levá-lo para uma outra existência, vira um morto-vivo, um zumbi. As reflexões profundas e divertidas sobre os aspectos da morte aparecem a todo momento na trama de ambos personagens e nos levam a pensar um pouco mais sobre este mistério de maneira bem suave. Se não existisse a morte, como seriam as coisas? Porque alguns esperam viver suas "verdadeiras vidas" somente depois de morrerem e esquecem-se de aproveitar a única vida que têm certeza de existir? Como se deve encarar a morte? São perguntas feitas por muitos - ou todos - e em O Senhor da Foice você achará mais uma resposta, talvez não a melhor, mas pelo menos a mais divertida.

Veja os livros comentados da série Discworld:
- A Cor da Magia (vol. 1)
- O Senhor da Foice (vol. 11)

leitura em: Agosto 2007
título: Discworld: O Senhor da Foice (Vol. 11), de Terry Pratchett
tradução: Ludimila Hashimoto, do inglês Reaper man
edição: 1ª, Conrad Editora do Brasil (2006), 285 pgs
Excelente